Alma e calma

Ketiene Vilela

FIlha, irmã, estudante e muito mais...

Estudante de Engenharia naval e oceânica na URFJ. Nascida em Ribeirão Pires-SP e morando atualmente na Cidade Maravilhosa.


O que realmente importa?

Buscamos o porquê com ferocidade e afinco acreditando que isso nos trará paz, mas na maioria das vezes é só mais uma luta inglória e desgastante cujo objetivo se esvai no meio da jornada e, mesmo nas raríssimas exceções em que alcançamos o almejado, já não faz mais sentido ou não preenche o vazio deixado pela ausência.

Já passei por diversas situações nas quais gostaria de saber o motivo das atitudes e comportamentos com relação a mim. Inútil e vãmente indaguei-me na busca de algo feito de errado que justificasse tais atitudes. Sim, encontrei diversas falhas em mim, resultado de um autoconhecimento e plenitude alcançados durante a jornada, mas nenhuma digna da crueldade ou do ceticismo que me foram entregues.

Me destitui do martírio de ser a culpada pelos acontecimentos e finalmente entendi e aprendi que o outro faz por vontade própria, porque assim lhe aprazia mais. Não foram os meus sentimentos ou minhas impressões as causadoras dos estragos, cujos destroços eu ainda vejo, mas a cada dia retiro uma porção, deixando o espaço mais livre, habitável e respirável, tudo confluindo para uma caminhada mais leve e compensadora - a derradeira importância da vida.

Fundo do mar

 A âncora se faz necessária para aquele que de alguma forma deseja permanecer, mesmo que temporariamente. É um símbolo de segurança e tranquilidade, porém tais características são do local onde se aporta e são dissociadas da sua real finalidade.

 O ímpeto do navegador que a carrega é de viajar e rodopiar o mundo, ser livre e sem amarras e por si só não pararia, a inércia e o furor do atrevimento não permitiriam pouso, só o faz por falta de opção, pois não pode infinitamente navegar, mesmo que com rota e destino, por isso essa é a sua insígnia de estadia. Carece da pausa até aquele que não tem porto, apenas direções e metas (compulsórias ou internas), do contrário ficaria à deriva sem suprimentos.

 A âncora serve como lembrete das mudanças entre o movimento e o repouso, a liberdade e a segurança, a autonomia e a dependência, e de que é preciso reaprender amar a terra firme, pois é dela que vem os frutos, e a recusar a emancipação promovida pela fluidez do mar, ainda que arredio, turbulento e incerto cujos medos provocados só se tornam suportáveis por conta da saudade de ancorar.


A vida é fluxo

 A sensação de ter um abismo se criando não é nada nova. Sentir o outro se afastando, escapando entre os dedos das mãos e se esfacelando já é uma velha conhecida a qual caminha há tempos de braço dado ao meu, mas essa é a primeira vez em que não me sinto aflita ou agoniada como naquele passado próximo que quase me enlouqueceu. Sim, sinto medo, e muito, porém eu finalmente entendi, não vale a pena ficar se não é pra somar ou esperar por aquilo que nunca virá ou ainda se desgastar e se frustrar por aquele que não podemos ter por perto.

 "Let it go" tem sido quase um mantra em minha vida depois de tantas decepções, rejeições, noites perdidas e grossas lágrimas derramadas, já que nada é imutável, e todos um dia partem, por opção ou arrebatamento. Esse foi o meu processo de crescimento, doloroso e necessário para adquirir maturidade, alcançar a plenitude e obter lucidez em minhas relações, atingindo gozo e felicidade, mesmo tendo momentos de tristeza, mas são fulgazes, a alegria está agora instalada e a necessidade de possuir o outro, qualquer outro, passa a ser a cada instante menor porque sou a minha melhor companhia.

 Ver que o alvo do desejo também percebe essa minha resolução e convicção, sua estadia perde primordialidade mudando as configurações dos relacionamentos, se transformando em leveza e descomplicação, desde sempre tão almejadas, trazendo tudo mais próximo dos reais objetivos e experiências a serem vividas


No fim, tudo desmorona

Alguns textos eu escrevo em momentos de muita angustia, outros de profunda reflexão, ainda outros com gratidão e felicidade. Muitos eu publico aqui quase imediatamente, mas alguns poucos eu não sindo de faze-lo com tanta pressa. É o caso deste aqui, que esta há quase um ano guardado, e agora me soa cada vez mais pertinente diante dos acontecimentos os quais eu tenho acompanhado.

Espero que aproveitem.

"Será que todos os relacionamentos amorosos da atualidade estão fadados ao fracasso?

Ou simplesmente estamos nos dando a chance de procurar em outro lugar a felicidade que nos falta na atual relação?

Ou pior ainda, será que estamos ficando mais rapidamente entediados pelas inúmeras oportunidades das quais a modernidade no permite?

Historicamente casais se mantinham pelos filhos, condição financeira ou pela imagem a ser passada à sociedade. Mesmo, muitas vezes, esses casais nem minimamente se davam bem, faltando com respeito um ao outro, e às vezes só infelizes.

Felizmente esse tempo passou, somos livres para escolher e reescolher nossos parceiros. Com toda essa "liberdade" tenho visto uma enorme tendência em casamentos de algumas décadas se desmancharem e com isso uma luz se acendendo. Me pego questionando qual seria o real motivo da separação: Seria a não mais dependência emocional dos filhos, agora já adultos? Se o afrouxamento das relações e a opção de desistir não mais ser vista como fracasso?

Eu sinceramente não sei a resposta, e acredito que cada caso é único, porém afirmo a existência de um pouco de cada motivo em todos, não sendo necessariamente decisivo."


Bilhetes

A todos os meus atuais e ex amantes. Todos vocês me machucaram de formais indescritíveis, alguns mais outros menos. Alguns pela absoluta ausência, outros pela atenção insuficiente, outros ainda pelo fingimento. O cerne aqui é que todos me abandonaram e me decepcionaram de alguma forma, forma esta que eu vos permiti, e vos autorizei.

Não não, a culpa não foi minha, em hipótese alguma eu vos deixo acusar-me. Se vocês o fizeram, o mal a uma tão doce e brilhante mulher, e a tantas outras em momentos diferentes, porque eu sei que o fizeram, não foi nossa ingenuidade, nossa paixão ou entrega que causaram tudo, foram as vossas perversidades e fraquezas, responsáveis por tanta dor e sofrimento e de não serem o melhor que poderiam ser. Exploraram da nobreza da confiança em vós depositada, transformando a bondade em tragédia como todas as histórias moralistas.


Acontecimentos

Não será a primeira nem a última vez que decepções acontecem. A vida é um grande ciclo, no qual damos voltas e voltas pela frustração, tristeza, desestimulo, mas também pela alegria, euforia e contentamento.

Alguns ciclos são mais longos pois requerem mais da nossa perseverança, outros da nossa capacidade de aprendizado. Alguns poucos passam como um suspiro de tão rápido.

Independente da forma de como se desdobram ou até mesmo de como se lida com tais ciclos, as lições vêm e se somam, a cada nova fase, mais fortes, sábias e melhores do que no instante anterior. Muitas vezes esvazia-se a dor de tanto já sentida, assim como anestesia-se a felicidade num mar de calmaria. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.


Agradecimentos

Neste momento sou grata aos meus pais por me ensinarem como o mundo funciona, me entregarem todas as ferramentas das quais eles dispunham, e me darem a certeza de que nem sempre eles estariam por perto, mas o suporte e assistência deles nunca me faltaria.

Que a cada sonho meu eles sonhariam comigo, e abraçariam todas as lutas em que eu entrasse como se fossem a deles próprios, por que nos corações deles seriam.

Por tornarem todos os meus desejos realidade, movendo céus e terras para promover meu conforto físico, mental e espiritual.

Por permitirem escolher sem censura, apenas com conselhos, o caminho no qual eu achasse melhor, mesmo não sendo o de agrado deles.

Por me fazerem com puro amor e uma melhor versão a cada dia, embutindo força e resiliência a cada instante.

Por me fazerem para vocês uma princesa e para o mundo uma guerreira.

Me faltariam linha e palavras para expressar a imensa gratidão por tudo que fizeram e ainda hão de fazer.

Sei que muitos não dispõem de bons pais, ou da confiança e apoio deles. Motivo de muita tristeza pois são essenciais à formação. Felizmente eu posso todos os dias ter meus olhos marejados de saudade e plenitude ao lembrar de todo o amor e força oferecida por eles.

Amo vocês


Meras reflexões

Tentamos de diversas formas arrancar as reações que desejamos dos outros, não importa o drama, o esforço ou a chantagem.

Cheguei à conclusão de que é simplesmente impossível gerar ações em decorrência das nossas, se o coração do outro tem pra dar ele dará, se não, não. Considero a observação válida para todas as formas de relacionamento.

Faço minha pausa sim para a responsabilidade emocional àqueles que manipulam e jogam sem um pingo de empatia.

Não sejamos ingênuos de acreditar no semear de sentimentos, não que o plantar não exista, mas o plantar esperando colher frusta. As melhores relações surgem da falta de expectativa de receber de volta, o simples doar porque é o certo ou o que se tem vontade.

Servir aos sentimentos nos polpa de gastar energia em vão, pois no fundo sabemos como termina cada um dos plantios.


Entroncamento e a efemeridade da vida

Certas coisas tem o gosto melhor quando conquistadas, mas até onde?

Nos foi ensinado que dificultar para o outro é a chave para ter valor, no entanto se a luta não for verdadeira ao final esvazia-se a vitória.

Não obstante vemos nossos troféus se acumularem em algum canto da nossa lembrança e o novo e mais reluzente que o anterior toma conta de toda o raciocínio e energia disponível. Mas assim como os outros, ao ser tocado e obtido perde o brilho e a cor, ocupando um lugar ao lado da imensa pilha.

Tentamos sempre nos provar que esse novo desafio é intransponível e nossas capacidades menores que as requeridas.

Quando se tratam de pessoas a lógica não é diferente. Ao contrário de outras estradas essa não pode ser hiperdimensionada, mas pode ser embaraçada de maneiras muito eficientes. Me entristece ao perceber isso pois nossa existência é limitada, indeterminada e incerta. Num momento estamos aqui, sendo intransigentes e bloqueando passagens as quais no fundo queremos a transposição, e no outro não há mais tempo nem vida para tal.

Se quero algo dou todas as cartas e dicas para a estrada mais suave e rápida. A espera não me ajuda e só me proporciona desgaste desnecessário portanto não é um bom investimento para quem quer viver a plenitude da felicidade ou ao menos a vastidão de oportunidades.

A alegria se encontra a alguns passos adiante basta nossa consciência e vontades extrapolarem o orgulho e as crenças que nos atam num trilhar mais sereno do qual costumamos e nos foi ditado.

Assim não carregaremos vontades e aspirações, e não mais intentos e propósitos.


Meias vontades 

Por quê ser meio parceiro se podemos ser o braço direito?
Por quê meio caminho se podemos chegar lá?
Por quê meios amores se podemos ser o sorriso no rosto?
Por quê ser a muleta se podemos ser a viga?
Por quê ser meio desejo se podemos ser volúpia?
Por quê ser meio se podemos ser o inteiro?

MEIO
A metade do que falta, a metade do que resta

O meio plano. A meia vista. A meia vida. A meia esperança. O meio abraço. O meio negócio.

Ser meio é ter medo de completar e faltar a coragem de se retirar.
Ser meio é ter o coração no caminho de onde se quer estar e longe de quem se é.
Meio cheio ou meio vazio? Tudo meio.
Ser meio é ser morno;
É ser aquilo que incomoda mas basta;
É ser tudo aquilo que podia ser e não foi;
É ser o avanço do fracasso;
É ser o passo dado na direção certa e que não suportou a jornada;
É ser o suspiro do último fôlego;

Ser meio é ser a eterna promessa não cumprida que despertou a carência e se tornou a saudade.


Palavras puras

Hoje me peguei pensando sobre a sinceridade que temos em nossas relações. Não faço ideia do porquê mas elas variam de relação para relação. Em algumas acho que temos medo de machucar o outro, em outras de nos expormos demais, outras de sermos rejeitados... Enfim são inúmeros os motivos, mas o que mais me intriga é: Por que não podemos ser verdadeiramente sinceros?

Ser sincero implica em ser puro e verdadeiro, e afinal é isso que procuramos nos outros, entretanto como encontrar tal preciosidade se falta a nós mesmos?

Eu busco ser sincera em todas as minhas falas e ações, em alguns casos chego a ser inconveniente e dramática porém eu sempre o faço, mostro como me sinto, como a situação me afeta, o que eu espero e preciso do outro, mesmo tendo algumas consequências ruins para mim em seguida, mas não consigo conter a verdade nos meus lábios ou nos gestos, sempre procurando não desmerecer, machucar ou ofender. Considero isso a forma mais plena de viver, pois se existe ou me foi causado algum ressentimento não cabe a mim o martírio, porque se o outro não for verdadeiro comigo após isso tudo, não é culpa minha, eu tentei lidar com a situação da melhor forma que meus sentimentos e minha maturidade me permitem.

Não entendo porque algumas pessoas sentem prazer em enganar as outras, a vida já é tão complicada por si só, qual a razão de aumentar o sofrimento de alguém mesmo que seja pra benefício próprio, pois a mentira não dura eternamente. Chega a ser cruel e maquiavélico tal pensamento, e faz com que em alguns momentos eu perca a fé no ser humano. Talvez aceitássemos com maior facilidade as adversidades e as sensações caso fossem mais discutidas, verbalizadas e elaboradas.

Sejamos mais sinceros com os nossos desejos, nossas vontades, nossas necessidades e nossas tristezas, este é o caminho que nos leva ao autoconhecimento, à clareza e à leveza na vida. Acho que é muito disso que falta na nossa sociedade e nos nossos modelos de vida, veracidade com pureza e empatia com os sentimentos de todos os envolvidos, nós sabemos como ser gentis quando necessário, por que não o fazer sempre junto com a sinceridade? Não julgo uma tarefa fácil, mas sim uma prática e um exercício muito bem-vindos ao dia-a-dia.


Pausa filosófica 

Qual o preço das nossas escolhas? E será q no fim vale a pena?

Hoje me peguei pensando sobre minhas escolhas e meus ideais. Até quando um interfere no outro? E qual é o preço disso? Manter-se fiel aos ideais é algo maravilhoso, que traz uma satisfação pessoal e uma consciência leve de que tudo que poderia ser feito foi feito.

Entretanto ceder dos ideais muita das vezes significa alcançar alguns objetivos. Será que ficamos realmente satisfeitos? Pois o preço foi nada mais que nossa essência, parece que não é real e nos custou a alma, mas viver relutando presos a coisas que muitas das vezes nem sabemos se é nosso ou nos foi introduzido e imposto parece igualmente assustador. 

Fiz pirraça com vontade e não hesitei em fazer minhas exigências, não adiantou muito, os dois se mantiveram irredutíveis. Logo em seguida pensei em voltar atras e ceder, pra obter algo que por não consegui pela persuasão ou chantagem, todavia me questionei se ficaria feliz em obter "exito" tendo desistido da minha proposta inicial. Ter sucesso fora dos meus termos  fere algo que talvez seja orgulho, mas ficar sem cumprir o desejo machuca a alegria de se relacionar. Qual será o equilíbrio, se é que existe?


Piloto automático 

"Pode-se chegar a um ponto em que, se não se faz alguma coisa nova, a vida, como um terno muito usado, vai-se tornando cada vez mais esmolambado"

Apesar das minha muitas críticas ao Livro do Richard Sennett, essa frase ecoou fundo na minha mente. Num momento grande de exaustão, com muitas provas, muitas tarefas, muitos questionamentos e poucas respostas, a reflexão desse citação me levou ao abismo e me trouxe de volta.

Quantas vezes não pensamos em mudar mas não temos coragem? E as vezes que preferimos engolir a insatisfação por falta de conhecer o que realmente queremos?

Precisamos passar mais tempo observando o nosso entorno antes de tomarmos decisões que podem custar a nossa felicidade, ou que o processo roube nossa vontade daquilo que tanto sonhamos. É necessário que nossas escolhas sejam feitas conscientemente todos os dias, pois se não tudo perde seu real sentido e valor. E como o terno... vai ficando esmolambado.


Cartas ao jovem de amannhã

"Querida

Te vi crescendo e se tornando a mulher que é hoje. Na verdade esse processo todo começou bem lá atrás quando você decidiu que queria vir pra cidade do Rio de Janeiro e fazer engenharia. Alí você já estava crescendo e tomando suas decisões com vontade e disposta a aguentar as consequências.

Dali em diante a jornada foi ficando mais árdua, cursinho, colégio, vestibulares e mais milhões de tarefas extra curriculares.

Tivemos algumas decepções, muitos percalços, mas lá estava você , finalmente passou no vestibular. Foi então que seu mundo virou, você já não sabia se deveria ir, se estava pronta e se aguentaria, mas mesmo assim você foi. Assumiu uma vida que nunca tinha tido contato e aproveitou para começar de novo.

Infelizmente nem todos te receberam com o coração aberto assim como você os recebeu, mas alguns aventureiros o fizeram, tornaram-se seus mentores e mentoras, que melhores não tinham.

Mais alguns passos dados pra chegar na exuberância atual. Mais alguns entraves que você não tão rapidamente superou mas enfim o fez.

Algumas coisas realmente te derrubaram com vontade, no entanto você devagar foi usando isso pra crescer. Quando finalmente você achou que estava plena, veio mais uma fase, aquela que você mais temia, ela chegou de mansinho e foi te carregando com bondade e você achou que poderia voar, mas todo voo uma hora acaba e você inesperadamente viu seu sonho ruir.

Mas não se desespere minha querida,você acha que nada faz e nada pode, entretanto eu já vi você superar tudo que era mais temeroso, e vejo que hoje és uma mulher incrível que alcançou o inesperado e surpreendeu a todos com a sua fibra. Coisas vão dar errado no caminho mas no fim você estará onde você precisa estar.

Continue, mesmo sem força. Continue, mesmo sem ânimo. Continue, porque ainda dá tempo de ser quem se é, tempo de ser quem se quer. Aceite-se e ame-se pois essas serão suas maiores conquistas."

Há um ano eu escrevi esse texto pra mim pois estava em um momento muito muito difícil mesmo da minha vida. Minhas notas estavam terríveis, meu relacionamento com meus familiares ia de mal a pior, tinha me afastado dos amigos e tinha tido meu primeiro coração partido na vida. Os transtornos alimentares estavam de fato afetando muito minha vida acadêmica.

Deixei guardado esse tempo todo, naquela época minha psicóloga me disse para escrever uma carta na qual eu colocasse todos os meus sentimentos, não para um outro alguém, mas pra mim mesma.

Foi imensa a minha felicidade ao ler essa carta um ano depois. Me emocionei, deixei que as lagrimas corressem livremente ao ver o quanto eu progredi neste ano, o quanto conquistei, não só fisicamente, mas espiritual e mentalmente. Um dos meus maiores orgulhos foi ver que superei os meus medos e aflições daquele tempo, e sou capaz de superar os atuais.

E você, o que tem para dizer à si mesmo hoje?


Limitando relações


Hoje a tarde eu me peguei pensando sobre como nós levamos nossas relações, principalmente as amorosas e sexuais. Percebi que nos limitamos o tempo todo pelo que "achamos que queremos", e na maioria das vezes apostamos no menor risco, isso quando apostamos, deixamos as mágoas do passado que não nos permitem progredir tomarem conta do do nosso presente e comprometer o nosso futuro, tudo isso por um enorme medo de envolver-se demais. Sinceramente não sei o que há de errado nisso, envolver-se faz parte da vida, parte do ser humano; se o motivo do afastamento é pertinente se afaste de tudo, inclusive das pessoas, se trate e depois volte, mas não condicione a existência e a experiencia maravilhosa que pode surgir de um relacionamento só porque tem medo de se machucar ou de machucar o outro.

Relacionamentos são como plantinhas, não adianta plantar uma semente de sequoia e querer que cresça somente até a altura de uma suculenta, não vai acontecer. Devemos nos dar a oportunidade de descobrir que tipo de planta aquele relacionamento pode ser, sem desistir antes. A falta ou excesso de água ou até mesmo de terra ou adubo por si só já vão determinar o que pode crescer, não cabe a nós ficar selecionando que tipo de experiencia queremos ter. Nós não fazemos isso com a faculdade, nem com o emprego, nem com os amigos, muito menos com a família; Por que o fazer com as relações amorosas/sexuais??

Vivemos numa era em que é necessário se importar menos e querer menos quando o assunto é afetivo, mas devemos maximizar as conquistas e as realizações sendo que tudo isso fica vazio quando não se tem com quem compartilhar (nisso eu incluo família e amigos). Por isso estamos ficando doentes, estamos negando nossa própria existência e essência social, nos condicionando às relações liquidas e superficiais.

Não to dizendo pra se atirar na frente de qualquer oportunidade, mas sim ponderar se o que te afasta não é puro medo e se você não esta se privando de uma ótima experiencia e aprendizado, afinal quem sabe?


Gratidão ...

Me encontro em um momento bem propício pra falar de gratidão. Recentemente foi meu aniversário e eu fui grata de diversas formas. Mas antes mesmo disso tudo eu já me sentia grata pelo muito que tenho e pelo pouco que acredito possuir.

Gratidão é um dos sentimentos mais lindos que eu já provei. Algo pleno que invade o coração de alegria, e tudo a sua volta parece estar saudando a sua alma, como se tudo até ali estivesse perfeitamente alinhado. Não digo que tudo está no lugar no qual esperávamos mas temos a certeza que tudo está no lugar onde deveria naquele exato momento.

Cada vez com mais frequência tenho me sentido grata. Não pela tola ideia que temos de que a gratidão vem quando conquistou todos os desejos, mas sim por ver as minhas conquistas e posses são muito mais do que simplesmente o que eu conseguiria alcançar, perceber a beleza da caminhada, do aprendizado e do valor, até das coisas que vieram sem esperar enquanto o objetivo era outro.

Sou grata pela família que tenho, pelos amigos e colegas, pelas pessoas que conheci tendo elas me feito bem ou não, porque a gratidão se encontra não do coração daquele que aceitou o destino, mas sim daquele que aceitou o aprendizado e com ele vai fazer o seu melhor.

Percebi o quão abençoada é a minha vida já tem algum tempo, e constantemente me pego parada apenas admirando as maravilhas da criação divina que me cercam e me são dadas. Com muita calma eu fecho os olhos de leve e sussurro uma oração, agradecendo pelos dádivas e pelo futuro em branco e triunfante possível a todo instante diante dos mim.


Descobrindo a si mesmo

Recentemente eu me descobri em uma jornada longa em busca do meu verdadeiro eu. Estou longe de saber a resposta, mas continuo caminhando.

Livros, livros e mais livros, todos eles me mostrando um pedacinho do mundo que eu tento compreender. Muitas sessões de terapia a fio, muitas conversas sinceras com o meu travesseiro. Tudo para encontrar o caminho da luz, aquele lugar gostoso e confortável onde minha alma brilha de alegria.

Venho descobrindo coisas maravilhosas sobre o universo, sobre mim e sobre os outros, entretanto isso não tem sido o suficiente para me trazer paz. Tem dias que eu sinto que sou capaz de tudo, mas tem dias que a cama parece enorme e me engole sem me deixar sair dela. Dias bons, dias ruins, todos temos mas chegar ao fundo do poço por falta de aprovação alheia é muito doloroso, pois não depende de nada que eu faça e sim da simples vontade do outro de aprovar o ser incrível do qual esta diante. Alguns param e admiram por um tempo, outros simplesmente passam batido, alguns parecem querer fazer morada mas logo se cansam.

Nessa jornada a coisa mais preciosa que aprendi é a depender apenas de mim, para tudo, aprovação, motivação e aceitação. Não é uma tarefa fácil porém é uma tarefa diária.